quinta-feira, 12 de março de 2009

Súplica


A vós suplico: Oh, seres sublimes! A vós fostes concedido o privilégio de brilhar e aquecer como sol e curar os mais profundos males.
Suplico-vos sublimes seres: Amenizais minha dor e purificais minha alma.
Vós que dominastes os quatro elementos; do mundo material, mesmo sabendo ser indigno este servo solicita-vos que orientais:
Ao fogo que purifique meus pensamentos e aqueça meus nobres ideais.
À água que lave toda impureza de injustiças que já cometi e sacie a minha sede de nobreza.
Ao ar que me envolva sempre com seu leve toque de divindade para que eu permaneça sempre no reto caminho inspirando e expirando ideias sublimes.
À terra que sempre me auxilie na conclusão de atos nobres enquanto viver. E após a vida que ela me acolha no seu ventre purificando-me e conduzindo-me ao fantático reino de Anagan - a antessala do Paraíso.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Eternamente Exaltada (Às Musas de Anagan)


Ah! Se pudesse acariciar-te, afagar-te o cabelo e ninar-te em meus braços.
Embalar-te como a brisa faz com as flores, suave e seguro.
Deleitar ao vislumbrar esse raro espetátulo retratado em seu semblante - prenúncio do paraíso.
Na alvorada implorar-te:
_ Venha suavizar meu dia!
No clepúsculo curvado a teus pés humildemente pedir-te:
_ Venha amenizar minha noite ...
E ao recolher-te para seu justo repouso não te direi, sonhe com os anjos mas, desejarei fervorosamente que os anjos sonhem com você, para que os mensageiros do paraíso possam compartilhar comigo este sublime prazer de conviver com sua presença

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Surreal


Certa vez andando pela Avenida da Ilusão, encontrei uma placa com um letreiro muito interessante. Não sei onde nem quando presenciei aquilo, somente sei que aquilo ficou para sempre arquivado em minha alma. O letreiro dizia o seguinte: "Precisamos de operários para construir uma casa, mas tem que ser oficiais muito especiais pois: precisamos de pedreiros que conheçam a linguagem da compreensão para que eles assentem corretamente os tijolos de dúvidas daquele que na casa irá morar; serventes que conheçam a verdadeira linguagem do amor para que saibam a medida correta do acabamento desta casa; carpinteiros que conheçam a verdade pois o engradamento desta casa só poderá ser a verdade e as telhas, o esclarecimento desta verdade. Estamos construindo uma casa que futuramente abrigará aquele poeta que tanto amar a humanidade morreu só e incompreendido. E agora queremos prestar-lhe a última homenagem."
Ontem passei por lá e vi que não conseguiram edificar tal casa, o terreno estava mais deserto do que nunca, somente me foi possível ouvir a voz do vento que sussurrou:
_ A casa que procuras só Ele poderia construir e hoje Ele habita nela no infinito ...

Antítese


Imagine: Recentemente estive fazendo comparações entre nós e concluí que somos o oposto um do outro, concluí também que estás sempre a me evitar.
Se és a luz do dia, consideras-me as trevas da sombria noite.
Se és uma grande força com certeza julgas-me uma imensa fraqueza.
Se és a certeza fazes de tudo pra que me ocultes nas incertezas.
Quando procuras espalhar alegrias ao redor, o teu fulgor não permite que percebam a profunda tristeza que rodeia.
Sinceramente não concordamos um com o outro pois somos o oposto um do outro e não comungamos as nossas idéias.
No entanto por que não façamos como um imã que quando quebrado somente os polos opostos podem uní-lo novamente.

Elegia à Tamires


No convívio diário com os seus
Eras uma estrela a luzir
Essa pequena criaturinha de Deus
Com as minhas alegrias a conduzir

Surgiste dos planos mais divinos
De beleza e pureza sem par
Manipulando alegremente os destinos
Dos que habitavam seu humilde lar

Mas uma fatalidade do destino
Quis deste pequenino ser nos privar
Deixando-nos com esse imenso desatino
Não podendo de tua sina esquivar

Agora para nós somente tristeza existe
Pois voltaste triunfante aos braços de Deus
Deixando toda tua comunidade muito triste
Sem podermos ao menos dizer-te adeus

Sabemos que habitas no alto firmamento
Brincando com inúmeros anjos e crianças
Mas aqui ficou um grande sofrimento
Pois levaste contigo parte de nossas esperanças

Lamentavelmente somos obrigados a nos conformar
Enfim ocupas um elevado posto
E de hora em diante não vamos mais cismar
Pois o tempo dispara a nosso desgosto

Porém tuas lembranças hão de permanecer
Tua existência para sempre será recordada
Aqueles que a amam jamais vão te esquecer
Por mais dura e árdua que seja a caminhada

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Ir ... mãos


Mãos que bravamente balançavam
O tosco cabo de uma enchada
Recentemente tristes recordam
Quão árdua foi essa jornada

O sol é o mesmo de outrora
E as mãos apesar da idade
Trabalhavam antes e agora
Para suprir a necessidade

O serviço com o tempo modificou
Assim como sua terra agora é passado
Mas a eterna recordação ficou
Apesar do trabalho ser mais pesado

Suspenso nas alturas lembrava
De sua terra amada e querida
E em tal ilusão mergulhava
Deixando no solo a própria vida

A queda foi muito violenta
Diziam os seus companheiros
A iniludível também chega lenta
Após os suspiros derradeiros

Mãos que bravamente balançavam
A colher de um pobre pedreiro
Cruzadas sobre o peito estavam
Pois foi este o gesto derradeiro

Sonhar,
Fugir da realidade,
Ao mesmo tempo buscar
A felicidade
Escapando deste mundo
Buscando um sentimento
Profundo
Nem que seja na eternidade.

E assim evitar estas:
Paixões subornadas,
Corações prostituídos,
Felicidades hipotecadas,
Amores destruídos,
Amizades esmigalhadas,
Sentimentos corroídos.

O artista sonha para resgatar
A verdadeira beleza do mundo
Sua arte deve expandir por todas as nações.
Pois nesse gesto se oculta toda nobreza
De um perfeito amenizador de corações.